A privatização e o João-de-barro • Por Ismael Alves




Ismael Alves - Há um João-de-barro aninhado na prefeitura do Recife. Mas não pense que este pertence à família 'Furnariidae' assim como o 'Furnarius Rufus', nome científico do pássaro conhecido por usar barro para construir o ninho. O João-de-barro da prefeitura é da família Campos.

Diferente da ave criativa e de canto firme, o João-de-barro do Recife está ficando conhecido pela fragilidade e contradição em suas falas e ações. Uma hora diz uma coisa e depois faz outra totalmente diferente. Consistência de barro molhado, sem firmeza.

É o mesmo João que no mês de março de 2020, quando deputado federal, teceu duras críticas ao programa de privatizações do Governo Bolsonaro (PL), com direito a textão nas redes sociais e camisa estampada com o "não à privatização". À época, diante da iminência de privatização das empresas Dataprev e Serpro, ele escreveu nas redes sociais: " É muito perigoso ver o governo federal tentando privatizar tudo que vê pela frente".

Mas só bastou João sentar na cadeira de prefeito que a prática tomou um rumo contrário ao discurso. Nesta segunda-feira, 13, o Blog de Jamildo publicou uma matéria mostrando que a prefeitura do Recife está contratando o BNDE para auxiliar na privatização dos parques Capibaribe, Jaqueira, Santana, Caiara, Urbano da Macaxeira e Dona Lindu. A contratação custará mais de R$ 2,4 milhões aos cofres públicos.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação está conduzindo o processo do qual prefere classificar como "concessão", ao invés de privatização. Talvez, sirva ao menos de conforto lembrar do poema de Mário Quintana, que já dizia: "eles passarão... Eu passarinho!"

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