PF investiga secretários do Gabinete de Projetos Estratégicos de Paulo Câmara por recebimento de propina; mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Gravatá, Recife e Ipojuca




G1 - A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta sexta-feira (15), a Operação Payback, para investigar corrupção por parte de funcionários do governo de Pernambuco. A operação apura o recebimento de propina e a troca de favores políticos para grandes fornecedores do governo, por parte de um secretário do Gabinete de Projetos Estratégicos (Gape).

De acordo com o organograma do governo do estado, o Gabinete de Projetos Estratégicos possui um chefe de gabinete, que tem status de secretário, e dois secretários executivos, de Monitoramento e Obras. Devido à Lei de Abuso de Autoridade, a Polícia Federal não divulgou os nomes dos envolvidos.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão durante a manhã: dois em residências no Recife; um numa casa de campo em Gravatá, no Agreste; e o último num bangalô na Praia de Muro Alto, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco.

De acordo com a delegada da PF Mariana Cavalcanti, entre as trocas de favores investigadas estão a moradia e reformas gratuitas em imóveis de luxo.

A investigação é um desdobramento da Operação Articulata, desencadeada em 2020 para apurar irregularidade de contratos firmados devido à pandemia.

"Payback significa o retorno de um investimento, porque hoje as investigações revelaram que um secretário do governo intermediava contratos para grandes fornecedores do estado e era beneficiado com reformas em seus imóveis. Em casa de campo, no imóvel onde ele mora, que, inclusive, pertence a um grande fornecedor do estado", afirmou.

Nessa investigação, a PF descobriu que um dos alvos morava de graça num imóvel de luxo desde meados de 2018. A residência foi avaliada em R$ 1,3 milhão e o aluguel mensal custa em torno de R$ 5 mil.

Também foram constatadas reformas gratuitas realizadas no mesmo imóvel e em uma casa de campo, feita por outro fornecedor. Esses serviços custaram mais de R$ 100 mil, segundo a PF.

O Tribunal Regional Federal da 5ª Região decretou os mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens dos investigados e proibição de comunicação entre os alvos.

A Justiça negou, porém, os pedidos feitos pela PF de prisão preventiva, monitoramento eletrônico, afastamento cautelar de função pública e sequestro dos imóveis.

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