Acusado injustamente de ter assassinado a própria mãe, gravataense foi preso e quase morreu vítima de espancamento na cadeia de Gravatá; laudo médico provou sua inocência

Marcos Amaro sendo amparado pela filha, Karoline, durante entrevista ao programa Jota Silva. Fotos: Ismael Alves 


Ismael Alves - A vida de Marcos Amaro da Silva, de 43 anos, morador do Bairro Nossa Senhora das Graças, no município de Gravatá-PE, não é mais a mesma desde o último domingo (28). Foi naquele dia que ele perdeu sua mãe, Josefa Maria da Silva, aos 73 anos.

Mas como se já não bastasse a sua dor, Marcos, que é um homem livre de qualquer histórico policial, trabalhador e bom pai, não sabia que a dor da perda da mãe era só o começo de um vendaval sem precedentes que estava prestes a virar sua vida pelo avesso. 

Tudo começou quando ele presenciou os últimos suspiros da sua mãe, fato ocorrido de forma repentina. Ao sair de dentro de casa apavorado em busca de socorro, ele passou a ser acusado de ter matado a própria mãe devido ao grito de socorro da idosa.  A notícia logo tomou maiores proporções ao ser veiculada por sites e blogs que até chegaram a relatar uma discussão entre mãe e filho que nunca aconteceu. A falsa acusação foi erroneamente endossada  pelo Estado, seja por meio da autoridade policial e até da justiça. 

Foi nesse cenário que Marcos passou a ser suspeito de um crime bárbaro, foi detido, passou por audiência de custódia e em seguida foi encaminhado para a cadeia de Gravatá, onde foi brutalmente agredido pelos presos que ali cumpriam pena pelos mais variados tipos de crime.

Quase sem vida, Marcos foi levado à UPA de Gravatá, onde recebeu os cuidados médicos e em seguida foi encaminhado ao presídio de Vitória de Santo Antão. Enquanto isso, sua mãe foi velada e enterrada. 

A realidade só veio à tona com a declaração de óbito nº 36017117-6. Nela, o médico legisla João Victor Tenório (CRM-PE 20.738) indicou a causa da morte da senhora Josefa Maria: "tamponeamento cardíaco em consequência de hemopericárdio", ou seja, problemas cardíacos. O ferimento na cabeça da idosa foi apenas consequência da queda ao passar mal. 

Marcos não assassinou a mãe e a família sempre acreditou na sua inocência. Ele teve a reputação manchada perante a sociedade, foi preso injustamente, agredido ao ponto de quase ter morrido e sequer pôde enterrar a pessoa que lhe trouxe ao mundo. Hoje, tenta se recuperar dos traumas físico, psicológico e social, decorridos de fake news e um erro irreparável do Estado.