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Caos em Pernambuco: vídeo mostra chuva invadindo guarita de presídio e policial tem que usar guarda-chuva para se proteger da água; Cabo Aênia denuncia situação ao MPPE


Ismael Alves - Circula na internet um vídeo recente feito por um policial militar que revela as condições precárias de trabalho que precisa enfrentar enquanto cumpre escala em um presídio de Pernambuco. O registro foi feito no Complexo Prisional do Curado, antigo Aníbal Bruno, na Zona Oeste do Recife. 

No vídeo, o PM aparece usando um guarda-chuva mesmo estando dentro de uma guarita da unidade prisional, enquanto uma forte chuva é registrada. O servidor explica que, embora esteja no interior da estrutura, precisa do guarda-chuva para se proteger da chuva que invade a guarita. Ele também mostra uma capa de chuva que mantém no local para se proteger de condições climáticas como a do vídeo.

Outro detalhe que chama a atenção no vídeo é o volume de água da chuva que escorre por entre os pés do policial. Para se proteger, ele usa botas do tipo sete léguas. 

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O flagrante da  condição sub-humana de trabalho enfrentada pelo  policial militar viralizou e despertou reivindicações. O caso foi formalmente denunciado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) pela ex-policial militar Cabo Aênia, liderança que tem se destacado ao longo dos anos por defender melhores condições de trabalho para a tropa pernambucana. 

Ao MP, Aênia classificou a situação como "fator desumano" e chamou a atenção quanto ao descumprimento da Constituição Federal por parte do Governo de Pernambuco, citando trecho do Artigo 23, que diz: “Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho...". Na denúncia a Cabo Aênia ainda destacou as "péssimas instalações elétricas" da guarita, advertindo para a exposição do policial ao iminente risco de acidente com energia elétrica. 

Histórico de descaso 

Apesar do impacto causado pelas imagens do vídeo, a Cabo Aênia relata que a falta de condições adequadas de trabalho aos policiais e bombeiros militares de Pernambuco é um fator corriqueiro. Em conversa com o editor deste blog, ela relembrou o assassinato do Sargento Silveira, em 2015, que morreu após ser atingindo por um disparo de arma de fogo enquanto fazia inspeção em uma guarita do Complexo Prisional do Curado. Silveira tinha 44 anos, sendo 24 de polícia. Ao citar o fato, Aênia lamentou que "até hoje não se sabe quem foi o responsável". 

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Revolta

"Como um homem desse que está protegendo a sociedade da fuga de presos de alta periculosidade vai desempenhar bem essa função, sem a menor condição de trabalho? Nesses 16 anos de governo do PSB, jamais se teve a preocupação com as condições mínimas de trabalho de qualquer servidor do Estado", disparou a Cabo Aênia em tom de revolta. 

Veja o vídeo: