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Opinião • Para o WhatsApp, brasileiros são propícios ao crime - Por Ismael Alves


Ismael Alves - Nos últimos dias o WhatsApp tem sido o centro de uma polêmica. Tudo começou após o aplicativo anunciar uma nova ferramenta que possibilitará a ampliação do alcance das mensagens por meio de uma nova função chamada "comunidades". Trata-se de uma espécie de guarda-chuva que permitirá ao mesmo administrador enviar mensagens para vários grupos,  de forma simultânea, podendo alcançar mais de 2,5 mil contatos em um único clique. 

No entanto, os usuários do aplicativo no Brasil só poderão usufruir da nova funcionalidade a partir do próximo. A excessão do resto do mundo, de acordo com o próprio WhatsApp, se dá em razão das eleições gerais deste ano. Mas não fica só por aí. A decisão é fruto de um acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, pasmem, tem como justificativa evitar a disseminação de notícias falsas.

Ao contrário do que muita gente pensa, não se trata de uma pauta de Lula (PT) ou Bolsonaro (PL), líderes políticos que protagonizam uma acirrada polarização. Na verdade, trata-se de uma forma de discriminação contra o povo brasileiro. Ao adotar tal decisão o WhatsApp revela, nas sublinhas, que enxerga a população brasileira com desconfiança, sob suspeita de desonestidade e suscetível ao crime, afinal, disseminar notícia falsa é coisa de criminoso. 

O que precisaria ser assegurado pelo TSE é a certeza de punição para quem praticar tal na tentativa de desequilibrar ou tumultuar o processo eleitoral. Ao invés de discriminar o brasileiro, o WhatsApp deveria se comprometer em colaborar com a identificação de usuários  que venham a utilizam o aplicativo para tal finalidade. 

O WhatsApp desdenha de quase 120 milhões de contas no Brasil. Com esse número, apenas a Índia, no mundo inteiro, tem mais usuários do respectivo aplicativo.  Mais vergonhoso ainda é saber que essa segregação medíocre conta com a anuência do TSE.