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Recife: Renato Antunes sugere repúdio a vereador envolvido em invasão de igreja em Curitiba



A Câmara Municipal do Recife aprovou nesta terça-feira (8) um voto de repúdio formulado pelo vereador Renato Antunes (PSC) ao vereador de Curitiba Renato Freitas (PT-PR), que liderou um protesto contra o assassinato do imigrante congolês Moïse Kabagambe na capital paranaense no último sábado (5). O ato gerou críticas da arquidiocese local por ter adentrado a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no centro histórico curitibano. Na tribuna do plenário da Câmara do Recife, Antunes classificou a atitude de Freitas como um desrespeito à liberdade religiosa.

“É um gesto impensado, que não cabe a um parlamentar que representa a coletividade. É uma falta de respeito ao culto, à individualidade religiosa. O que a gente presenciou em Curitiba não faz jus a um parlamentar eleito de forma democrática”, argumentou o parlamentar do Recife. “Aprovar esse voto de repúdio é dizer que não concordamos com a politização dentro das nossas instituições religiosas. É dizer que esta Casa não será conivente com qualquer atitude que venha a ferir a liberdade e inviolabilidade do culto, o que está previsto na nossa Constituição”.

Para Renato Antunes, é importante que a religião seja preservada das disputas partidárias que envolvem o país. “A religião deve ser respeitada porque é um ato do indivíduo, que pode ser evangélico, católico, espírita, de religiões de matriz africana. Não são ambientes para manifestação. Eu tenho certeza de que aqueles que compõem o Partido dos Trabalhadores não concordam com essa atitude. Não é um voto de repúdio a um partido, mas a um indivíduo que se excede”.

Em um aparte, a vereadora Cida Pedrosa (PCdoB) concordou com o colega e salientou que o respeito aos locais de culto deve ser suprapartidário. “A lei de liberdade que coloca na constituição a liberdade de culto é do nosso queridíssimo escritor baiano Jorge Amado, que foi do meu partido. Quem garantiu a liberdade de culto na Constituição foi um comunista. E eu sou comunista e cristã, formada na sacristia da Igreja Católica”, exemplificou. “Acho que todo e qualquer culto tem que ser preservado. Isso é da subjetividade do nosso povo, que tem o direito a ir à igreja que quiser. Temos que lembrar o quanto isso é desrespeitado no caso das religiões de matriz africana neste Brasil”.