Análise de Política Externa :Eleições chilenas fora do “establishment” - Por Tiago Lima




A situação eleitoral vivida pelo Chile neste ano se assemelha àquela atravessada pelos brasileiros em 2018, inclusive do ponto de vista ideológico: extrema-direita x esquerda. Por lá o voto é impresso e facultativo. O país andino é governado pelo direitista Sebastián Piñera.

O Chile viveu um "pingue pongue" entre direita e esquerda iniciado em 2006, quando a socialista Michelle Bachelet foi eleita. De lá para cá:

2006 - Bachelet
2010 - Piñera
2014 - Bachelet
2018 - Piñera

Como se vê, os chilenos estão acostumados a viver o que se chama "polarização".

Sobre as eleições presidenciais deste ano: de um lado temos o chamado "Bolsonaro chileno", José Antonio Kast, de extrema-direita, que enfrentará o ex-líder estudantil Gabriel Boric, de esquerda. A esquerda, cabe salientar, preside atualmente as duas casas do congresso do Chile.

Inclusive os deputados chilenos chegaram inclusive a abrir um impeachment contra o atual presidente, há poucas semanas, mas o processo foi rejeitado pelos senadores na semana passada. Piñera teve um mandato marcado por convulsão social a partir das manifestações de 2019-2020.

Esses protestos acabaram por forçar a convocação de uma "convenção constitucional" (espécie de Assembleia Nacional Constituinte) ainda em curso, cuja composição é vista como "democrática" e "progressista". A carta magna vigente no país é da época da ditadura de Augusto Pinochet.

Embora as pesquisas eleitorais tivessem dado uma considerável vantagem para o candidato de extrema-direita neste ano (algo como 6 pontos percentuais de diferença para o candidato da "convergência social") as urnas mostraram uma distância bem menor entre eles: pouco mais de 2 p.p.

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Tiago Lima Carvalho

Secretário Geral da Juventude do PSB de Pernambuco;

Bacharel em Relações Internacionais;

Mestrando em Gestão Pública e Cooperação Internacional -UFPB.

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