Opinião - João Campos, o colecionador de máscaras - Por Ismael Alves


O socialista João Campos (PSB), prefeito do Recife graças à herança política do falecido pai, o ex-governador Eduardo Campos, esteve reunido com o ex-presidente Lula (PT) neste domingo, 24, em São Paulo. Na ocasião, entre outros assuntos, trataram de uma "frente ampla" defendida por Campos, para o enfrentamento ao bolsonarismo nas eleições de 2022.

Claramente, o discurso do prefeito começa a passar por uma metamorfose. Até pouco tempo o gestor falava em  candidatura própria do PSB para fugir à polaridade Lula x Bolsonaro. 

Contudo, a mudança de postura de João só demonstra uma característica que já é sua marca: a contradição. Além do mais, não seria novidade a caminhada conjunta do PSB com o PT, que segue sempre entre tapas, interesses e beijos, inclusive no âmbito de Pernambuco.

E, por falar em tapa, João Campos age naturalmente ao encontrar-se com Lula, como se não soubesse que o ex-presidente é o ícone do PT, sigla dos "governos corruptos", de acordo com palavras do próprio João nas eleições de 2020. A afirmação foi feita pelo prefeito durante o período eleitoral do ano passado, ocasião da qual enfrentou, entre outros postulantes, a deputada federal petista Marília Arraes, sua principal oponente naquele pleito.

Partindo para o vale-tudo, João adotou, naquele momento, a tática do anti-petismo e ignorou o mesmo Lula que, hoje, faz questão de ir a São Paulo tomar sua bênção. 

Outro caso que demonstra o camaleonismo de João Campos é a reforma previdenciária do Recife, agindo ao avesso do que fez em 2019, quando ainda deputado federal, que se posicionou contra a reforma previdenciária do governo federal sob o discurso do 'nenhum direito a menos'. Bastou sentar na cadeira de prefeito que empurrou uma reforma espinhena guela abaixo nos servidores municipais.

Em outras palavras, João é um  colecionador de máscaras e escolhe-as conforme   seus interesses.

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