Opinião - Lamentar mortes por covid-19 e participar de atos presenciais é contradição, independente de ideologia - Por Ismael Alves



Ismael Alves
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É inegável que o mundo inteiro enfrenta um caos de magnitude inimaginável há mais de um ano, devido a pandemia do coronavírus, causador da covid-19. Só no Brasil, a doença já matou mais de meio milhão de pessoas.


A triste estatística é composta por óbitos de vítimas de todas as idades, cor, credo, gênero e classes sociais. Só quem perdeu um parente ou amigo na luta contra a covid-19, sabe o poder devastador que a doença tem. E, drasticamente, há pessoas que perderam a família inteira. 


Ao longo da pandemia há registros de falas infelizes e equivocadas de líderes políticos de todas as ideologias, além de pessoas que se enquadram em tantos outros segmentos. A população, por sua vez, é responsável por tecer críticas diversas, seja pela falta ou demora na vacinação ou até mesmo contra as medidas restritivas impostas pelos governantes no intuito de segurar a onda pandêmica.


Entretanto, os últimos dias têm mostrado o comportamento  contraditório de muita gente que lamenta as mortes, mas que têm contribuído para o quadro de caos que paira sobre o país.  Neste final de semana tivemos protestos presenciais em Recife, realizados por apoiadores e opositores do presidente Jair Bolsonaro, atropelando a recomendação do Ministério Público de Pernambuco, que havia se posicionado, previamente, contra a realização dos atos.


A verdade é que esses movimentos potencializam a disseminação do vírus, que circula com diversas variantes e diferentes níveis de gravidade e poder de contaminação. Considerando que o número de pessoas vacinadas é baixo, e que o ritmo está aquém do razoável, podemos dizer, sem medo de errar: é incoerente, neste momento, a participação em protestos presenciais, seja de direita ou esquerda. E, nessa altura do campeonato, pouco importa se a Constituição permite a realização dos atos, como costumam argumentar os militantes que desafiam a pandemia. Precisamos lembrar que a vida está acima da própria Constituição, e que o comportamento equivocado de muita gente  pode matar pessoas que não estão participando dessas aglomerações inoportunas.


Quem promove de atos como os do final de semana, certamente está vivendo uma realidade paralela ao momento do qual o mundo atravessa, inclusive no Brasil, que figura na lista dos países com mais mortes causadas pela pandemia. 

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