Letreiro móvel superior

8/recent/ticker-posts

Reafirmando inocência, Lula diz que "dor que sente não é nada diante de 270 mil pessoas que viram seus entes morrerem"



Ismael Alves
politicanoforno@gmail.com
(81) 99139-7305


DP - Abrasivo, empático e direto. Assim pode ser definido o primeiro posicionamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado na manhã desta quarta-feira (10), na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. A coletiva estava marcada para essa terça-feira, mas foi postergada devido ao julgamento da suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, no Supremo Tribunal Federal. Com isso, este é o primeiro pronunciamento oficial de Lula após a anulação das condenações referentes à Lava Jato.


Com transmissão feita nas redes sociais do ex-presidente, ele relembrou o dia em que foi preso e levado pela Polícia Federal. “Faz quase 3 anos que sai da sede desse sindicato pra me entregar na sede da PF, contra minha vontade, porque sabia que estavam prendendo um inocente", contou. "Muitos queriam que eu não fosse, mas não seria correto um homem da minha idade, com a construção da minha história, aparecer na capa dos jornais como fugitivo. Como tinha certeza da minha inocência, queria provar isso de dentro da prisão. Antes de ir, tínhamos escrito um livro ‘A verdade vencerá’, porque tinha certeza que esse dia chegaria e ele chegou”.


Lula disse que ao marcar a entrevista, muitas pessoas demonstraram-se preocupadas com o seu humor, fazendo questionamentos sobre os seus sentimentos atuais. Ele garantiu não ter mágoas. "Eu sei que eu fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos", disse. “Se tem um cidadão que tem razões de ter muitas e profundas mágoas, sou eu, mas não tenho, pois o sofrimento que o povo brasileiro está passando, o sofrimento que as pessoas pobres estão passando, é infinitamente maior que qualquer crime que cometeram contra mim”, comentou.


“A dor que eu sinto não é nada, diante da dor que sofrem milhões e milhões de pessoas, é muito menor que a dor que sofrem quase 270 mil pessoas que viram seus entes morrerem e sequer puderam se despedir dessa gente, dar o último olhar na pessoa que a gente ama”, frisou.


O ex-presidente também falou sobre a situação atual do país, fazendo críticas ao presidente da república, Jair Bolsonaro. Segundo ele, o país está desordenado, pois não tem governo. "Esse país não tem ministro da saúde, esse país não tem ministro da economia, esse país tem um fanfarrão, um fanfarrão, um presidente que por não saber de nada diz ‘é tudo por conta do Guedes’. Enquanto isso, o país está empobrecido", disse.


"O PIB caiu, a massa salarial caiu, o comércio está enfraquecido, o comércio varejista caiu, a produção de comida das pessoas está ficando insustentável. E o presidente não se preocupa com isso”. Para ele, Bolsonaro está provando para a sociedade “que não é só com mentiras que governa o país".


Em relação à vacina, o petista aconselhou os brasileiros a não ouvirem o presidente do Brasil e o ministro da saúde, Eduardo Pazuello. “Não sigam nenhuma decisão imbecil do presidente da república ou do ministro da saúde, tome vacina, pois ela é uma das coisas que pode livrar você do covid”, disse, afirmando que vai se imunizar contra a covid. “Vocês sabem que a questão da vacina não é uma questão de se tem dinheiro ou não tem dinheiro. É uma questão: eu amo a vida ou a morte. É uma questão de saber qual o papel de um presidente da República no cuidado do seu povo", explicou.


Lula também afirmou que a Lava Jato desapareceu da sua vida. “Eu estou de bem com a vida. A lava jato desapareceu da minha vida. Eu não espero que as pessoas que me acusaram, deixem de me acusar, estou satisfeito que tenha sido reconhecido, aquilo que meus advogados têm dito há muito tempo: o presidente é inocente”, finalizou, concluindo que a verdade venceu e sempre vencerá.


Ao finalizar os pronunciamentos, jornalistas questionaram o ex-presidente sobre a sua possível candidatura à presidência do Brasil em 2022, porém, Lula diz que "ainda não tem cabeça para pensar se vai se candidatar em 2022 ou não”.

 --Publicidade--