Brasil, UE e outros países questionam legitimidade de eleições na Venezuela



Ismael Alves
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Reuters - As eleições parlamentares da Venezuela, realizadas no domingo, carecem de legalidade e legitimidade e aconteceram sem garantias mínimas de um processo democrático, afirmaram nesta segunda-feira, em nota, os governos do Brasil e de outros 15 países, originalmente organizados no chamado Grupo de Lima.

De acordo com o texto, assinado por Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Santa Lúcia, as eleições venezuelanas não tiveram garantia “de liberdade, segurança e transparência” e aconteceram “sem integridade dos votos, participação de todas as forças políticas ou observação internacional”.

“Exortamos a comunidade internacional a se unir na rejeição a essas eleições fraudulentas e a apoiar os esforços para a recuperação da democracia, do respeito pelos direitos humanos e do Estado de Direito na Venezuela”, diz o texto.

Pouco depois, a União Europeia se uniu ao grupo de nações rejeitando a eleição, que não considerou livre e justa, também rejeitando o resultado e pedindo ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que trace um caminho para a reconciliação nacional.

Já o secretário de Estado dos Estados Unido, Mike Pompeo, disse que Washington continuará reconhecendo o líder opositor Juan Guaidó como o presidente legitimo da nação sul-americana.

O resultado da eleição parlamentar no país deu a Maduro o retorno do controle sobre o Congresso venezuelano, perdido para a oposição em 2015. A aliança de Maduro venceu com 67,6% dos votos, mas apenas 31% dos eleitores foram às urnas.


A oposição comandou um boicote às eleições, chamando os venezuelanos para um consulta popular de 12 de dezembro para rejeitar os resultados do pleito e pedir uma mudança de governo.

Em Caracas, Guaidó disse em uma coletiva de imprensa que “o importante aqui não é ficarmos em nossas casas... é nos prepararmos para o que vem. A dignidade que vale é o 12 de dezembro nas ruas, unidos e organizados”.

A oposição iniciou já nesta segunda-feira uma consulta popular de repúdio ao governo e à votação parlamentar, que funcionará de forma virtual de 7 a 12 de dezembro.

Guaidó garantiu que a consulta não tem efeitos imediatos nem é uma eleição, mas que quer manter os opositores venezuelanos mobilizados e evitar o arrefecimento da luta contra o governo.

O governo de Cuba, um dos aliados mais próximos da Venezuela, comemorou em um comunicado breve “o triunfo eleitoral” dp Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).


Em sua conta no Twitter, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, afirmou que o resultado da eleição, com baixíssima participação, não reflete a vontade dos venezuelanos e foi uma “farsa eleitoral”.

“O Brasil continuará trabalhando, com todos os parceiros que quiserem, pela redemocratização da Venezuela. Defenderemos a segurança, a dignidade humana e a liberdade na América Latina e em todo o mundo”, afirmou.

Em um evento na Associação Comercial de São Paulo, o vice-presidente Hamilton Mourão reiterou a posição do governo brasileiro e afirmou que a eleição venezuelana foi “praticamente fraudada”.

“É um país na rota de tornar-se um pária no conselho das Nações”, afirmou Mourão. “Ontem, tiveram uma eleição legislativa praticamente fraudada, onde a participação popular foi de 30%. É uma situação muito complicada”.


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